O grêmio é dos estudantes, o Estado não tem que ter nada a ver com isso!

Nos dias 13 e 14 de abril, o governo pretende realizar eleições de grêmio na maioria das escolas da rede estadual. Segundo o secretário da Educação, José Renato Nalini, essa medida faz parte da política de “abertura” e “diálogo” anunciada pelo governador Geraldo Alckmin no dia em que houve a suspensão do projeto de reorganização do ensino.

Duas perguntas podem surgir: Por que o secretário está preocupado em formar grêmios? Isso não seria ruim para o governo?

Para responder a essas questões devemos antes entender qual a situação atual dos grêmios na rede estadual. Segundo a Secretaria da Educação, das 5 mil escolas estaduais, 70% delas (3,5 mil) possuem grêmios. Por que então esses grêmios não tiveram um papel decisivo durante a luta contra a reorganização? Por que não foram o pólo aglutinador, capaz de unir e organizar os alunos para o combate? Porque a maioria desses grêmios não foi uma iniciativa dos próprios estudantes, não foi o resultado da compreensão de que eles devem se unir para lutar pelos seus interesses. No geral esses grêmios foram iniciativas das direções ou de professores, que simplesmente ditavam como o grêmio deveria funcionar passando por cima de qualquer opinião que os estudantes pudessem ter. Em muitos casos não havia sequer eleição, os diretores ou professores simplesmente escolhiam alguns alunos e formavam o grêmio. Quando havia eleição, o processo era viciado: ou a direção formava uma chapa para impedir que o grêmio caísse nas mãos de alunos “indesejados”, ou então eram criadas regras absurdas que excluíam os “indesejados”, como exigir “notas boas” para fazer parte do grêmio. Os grêmios acabavam sendo meras marionetes do governo, realizando funções de “auxiliares gerais” das direções (limpando salas, fiscalizando os colegas, etc). Consequentemente os alunos não se sentiam representados por esses grêmios, não viam neles uma ferramenta de luta contra as direções e o governo.

Após o processo de luta contra a reorganização do ensino no final do ano passado, os estudantes começaram a debater a importância dos grêmios e a necessidade de estarem organizados dentro das suas escolas. Mas não foram só os estudantes que pensaram nisso: o governo também se apressou em reconhecer que os grêmios existentes são “pouco representativos” e “pouco atuantes”, e se comprometeu a fazer de 2016 o “ano do diálogo”. Quando o Alckmin suspendeu a reorganização, no dia 4 de dezembro do ano passado, ele já afirmava ali que debateria seu plano com pais, alunos e professores, “escola por escola”. Pode parecer que ele disse isso da boca pra fora, que na verdade não haverá diálogo nenhum, e que ele vai novamente tentar passar esse projeto de cima pra baixo. Mas não parece ser isso o que o novo secretário da Educação está preparando.

Em entrevistas recentes, o novo secretário tem falado muito sobre a necessidade de “dar mais voz aos estudantes”. As perseguições que muitos secundaristas têm sofrido por terem participado das ocupações no ano passado não estão em contradição com essa afirmação do secretário. É que para “ouvir” os estudantes, ele precisa silenciar, perseguir e anular os estudantes mais “radicais”. Repressão e diálogo sempre andam juntos, uma não exclui a outra.

Acreditamos portanto, que o governo diz a verdade quando afirma que vai dialogar “escola por escola”. Até porque dessa forma ele divide os estudantes e enfraquece o movimento. Assim, a formação de grêmios é peça importantíssima na estratégia do governo, pois o grêmio servirá como interlocutor entre os alunos e o governo. Isso não quer dizer que o governo queira grêmios independentes e combativos, longe disso. Mas também não serve mais aquele grêmio que descrevemos no início: esvaziado, pouco atuante e sem nenhuma legitimidade entre os alunos. O que o governo precisa é de grêmios atuantes dentro da escola, mas organicamente atrelados à direção escolar. Assim, projetos, festas e eventos promovidos pelos grêmios serão incentivados. Isso implica também em alterações nas próprias escolas, pois para que esses grêmios funcionem como interlocutores as escolas devem se abrir, devem se tornar participativas. Ou seja, a política só poderá ser feita junto com a direção, e nunca contra ela. É exatamente isso que o secretário afirmou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo: “O grêmio tem de ser parceiro da diretoria, atuar na gestão da administração da escola e influenciar até a aplicação da verba destinada à escola, elegendo prioridades”. Atrelamento político entre alunos e direção, eis a chave da estratégia governamental para nos empurrar a reorganização novamente.

Atrelamento que é construído em cada passo da formação do grêmio: na elaboração do estatuto; na definição do calendário eleitoral; na exigência de um “presidente” para o grêmio; na obrigação de formar chapas mesmo onde não há divergências entre os alunos (criando uma falsa divisão entre eles); nas “reuniões de negociação” que só servem para impedir qualquer movimentação dos alunos; nas tarefas dadas aos grêmios como “obrigações” ou “deveres”, etc. Assim, os estudantes se habituam aos procedimentos da democracia burguesa e ao invés de lutarem contra o ajuste e contra os cortes, passam a negociar com o governo o que vai ser ajustado e onde vai ser o corte. 

Para que os próprios estudantes ditem as regras, explorem os seus limites e indiquem os objetivos do movimento estudantil, precisamos lutar para garantir a independência dos grêmios. No dia 10 de março, quando Alckmin e Nalini divulgaram as datas para as eleições dos grêmios, os estudantes da E.E. Virgília se organizaram, paralisaram a aula e realizaram uma assembleia, mostrando ao Estado a quem de fato pertencem os grêmios estudantis e dando exemplo a todas as outras escolas de São Paulo. Os estudantes é quem devem decidir sobre os rumos da luta estudantil, o Estado não tem nada a ver com isso!

Contra a organização feita pelo Estado, pela organização independente dos estudantes!

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COMO OCUPAR UM COLÉGIO?

Este texto havia sido publicado neste blog em novembro de 2013. Após o ataque que sofremos no último dia 9 perdemos todas as nossas publicações. Mas estamos recuperando algumas postagens conforme sua importância para a atual luta dos estudantes paulistas. Esse texto é um deles. Trata-se de uma tradução que fizemos de dois textos da Frente de Estudantes Libertários da Argentina. Esperamos que ele seja útil para os milhares de estudantes que estão nas ruas contra o governo fascista de Geraldo Alckmin.
Boa leitura!

O objetivo deste texto é explicar o plano de ação escolhido para a luta dos estudantes secundaristas da cidade. Nossa estratégia deve nos permitir ganhar a luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade. As ocupações massivas de colégios são uma das ferramentas  dentro desta estratégia. Para ganhar, todos devem saber porquê brigamos, quando devemos atacar, quando é preciso recuar e quando é precisodispersar. Se nunca atacamos, não seremos ouvidos, mas se também não dispersarmos no momento certo, vamos nos isolar e desgastar, e não conseguiremos o que queremos.

Começaremos com ocupações rápidas, que nos permitam usar nossas forças da forma mais efetiva possível. Não devemos nos desgastar no início da luta, além disso devemos deixar claro que não ocupamos as escolas porque queremos. Uma ocupação é sempre o último recurso, depois que todos os canais de diálogo e as outras formas de luta tiverem
se esgotado. Não é nenhuma festa ter que dormir todos os dias no colégio, suportando as mentiras do governo e dos meios de comunicação que nos apresentam como vagabundos que não querem estudar. É por isso que ocupações devem ser relativamente curtas (por volta de uma semana), para abrir uma instância de diálogo, e ver se o governo está disposto a atender nossas demandas.

Se depois das primeiras ocupações e das tentativas de negociação o governo insistir em suas políticas contra a educação pública, teremos que medir nossas forças novamente. Se sentirmos que somos mais fortes, que conseguimos convencer mais estudantes de que eles devem estar dispostos a ocupar seus colégios, então estará dada a possibilidade para um novo levante dos estudantes com dezenas de ocupações em toda a cidade. No entanto, se vemos que não temos forças suficientes para ocupar as escolas, seria um erro ir para o tudo ou nada. A ocupação não é um fim em si mesma, é só uma ferramenta a mais dentro de um plano de luta maior. O nosso objetivo final é frear o avanço governamental sobre a nossa educação, não ocupar por ocupar. Por isso, se não temos condições para ocupar, temos que encontrar outras maneiras para defender nossa educação, com travamentos de ruas, marchas, jornadas culturais, debates abertos com nossos pais, etc.

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Com esse texto não queremos nada mais que tentar tornar mais fácil o caminho para os companheiros que estão começando suas lutas agora. Textos como esse são os que nos fizeram falta durante os momentos de luta para evitar que conflitos dentro dos grêmios nos distraíssem dos problemas que são realmente importantes em um período de ocupação.

Não há uma fórmula secreta nem perfeita para ocupar um colégio. Simplesmente é necessário seguir alguns princípios básicos, ter clareza sobre como se organizar e ajustar o que foi planejado à conjuntura geral, à correlação de forças, etc.

ORGANIZAÇÃO DURANTE A OCUPAÇÃO

Uma vez decidida e votada a ocupação do colégio pela totalidade dos estudantes, é primordial e “obrigatório” que se discuta como se organizará todo o processo de ocupação, para garantir que todas as tarefas sejam cumpridas no prazo e da forma proposta, sempre respeitando a democracia direta.

Para que se respeite a democracia e se garanta o cumprimento das tarefas, é necessário dividi-las de alguma maneira. O mais prático e recomendável é que a assembleia geral nomeie comissões para temas particulares, que se ocupem de supervisionar e cumprir as tarefas designadas para elas.

As seguintes comissões são básicas e não devem faltar em nenhum processo de ocupação:

COMIDA

É a comissão encarregada de garantir comida para quem dormirá no colégio. Ou seja, ela deve se assegurar para que haja pelo menos jantar e café da manhã. Pode se ocupar do almoço, mas como esse é um horário em que há mais pessoas entrando e saindo do colégio, é mais fácil conseguir alimentos do que nos horários em que o colégio fica fechado.

SEGURANÇA

É uma das comissões mais importantes. É a encarregada de cuidar do patrimônio da escola e dos ocupantes. Também é a encarregada de evitar qualquer tipo de briga ou descontrole entre os estudantes. Ela deve se ocupar das seguintes tarefas:

– Fechar os principais acessos à escola e garantir que sempre tenha alguém os vigiando;

– Impedir que qualquer pessoa não autorizada pela assembleia entre na ocupação (ou seja: professores, autoridades, jornalistas, pais, alunos de outras escolas, alunos que possam representar uma ameaça, etc.) exceto durante a realização de atividades abertas. Durante todo o dia deve haver um grupo considerável de companheiros na entrada principal– no mínimo três – que anotem em uma lista quem entrou e saiu e o horário em que essas pessoas entraram e saíram. Com isso, há um controle que garante um número constante de pessoas na ocupação. Ao encerrar a ocupação, essa lista deve ser destruída, para que não caia em mãos de autoridades que possam chegar a utilizá-la contra os estudantes, fazendo “listas negras”, punindo, expulsando, etc;

– Geralmente as autoridades são avisadas da possível ocupação da escola e podem chegar a “entrincheirar-se” (ficar esperando os alunos lá) na diretoria, secretaria, etc. Isso deve ser evitado a todo custo, tendo em conta que nesses espaços é que estão os documentos dos estudantes nos quais as autoridades podem efetuar as sanções/advertências/suspensões/expulsões e fazê-las constar em ata;

– Evitar o uso de álcool, drogas, armas ou qualquer outro elemento proibido pela assembleia. Isso pode ser garantido evitando a entrada desses materiais, proibindo seu uso dentro da ocupação ou até descartando esses materiais;

Essa comissão não tem outra tarefa além de cumprir o que foi deliberado pela assembleia em relação ao tema da segurança. Em relação a casos de violência (tanto internos quanto externos) não se deve tomar uma posição de entrar na briga. Ao contrário, utilizando métodos fraternais, deve-se tentar acalmar os ânimos o máximo possível.

IMPRENSA

É encarregada de divulgar a ocupação para os meios de comunicação, outras escolas/universidades e para quem se considerar necessário. No caso dos meios de comunicação, deve-se chamar os meios selecionados, informando-os da ocupação e pedindo um número de celular para mandar uma nota (por mais bobo que isso pareça, ajuda bastante na difusão das razões da ocupação e da luta em si).

Assim que se realize a ocupação, essa comissão deve também redigir um comunicado no qual se explique suas razões e os motivos que os levaram a este ponto. O comunicado deve ser difundido por todos os meios possíveis (email, Facebook, meios de comunicação, etc). É primordial ressaltar que o comunicado deve se ater ao que foi decidido na assembleia, sem a interferência de interesses pessoais ou partidários.

Outra ferramenta de divulgação da ocupação são os cartazes, para colar na fachada da escola com as demandas da luta que está sendo realizada ali.

INFORMAÇÃO

É a encarregada de difundir a informação dentro da ocupação. Ou seja, deve divulgar as resoluções tomadas pela assembleia para todos os estudantes, assim como informes dos meios de comunicação sobre o processo de ocupação. Dessa forma todos tem acesso à informação, igualando o nível de discussão de todos os companheiros e possibilitando um processo realmente democrático e igualitário. Deve também informar os horários e salas das atividades caso essas sejam atividades que todos possam participar.

LIMPEZA

É a encarregada de limpar o estabelecimento (varrer, lavar, etc.). Deve utilizar os utensílios que os funcionários emprestem ou, caso não possam emprestá-los, devem consegui-los em suas casas ou onde for possível. É importante não só limpar, mas também evitar que os companheiros sujem o espaço, para reduzir o esforço coletivo de limpar grandes estabelecimentos, além de que um espaço muito sujo prejudica a imagem do movimento. Como é uma tarefa que a maioria não quer fazer, o melhor é incentivar a rotatividade de integrantes nessa comissão.

RELAÇÕES EXTERNAS

É um tema importante, sobretudo para evitar que organizações, grupos ou partidos se apropriem da luta, passando por cima da decisão dos estudantes. É necessário proibir práticas que só tenham como objetivo “ganhar ibope” à custa do movimento ou o movimento pode perder sua legitimidade e se esvaziar ao tentarem impor uma bandeira externa.

Para falar com os meios de comunicação, a assembleia deve eleger um ou dois delegados revogáveis (de preferência com mais de 18 anos, para evitar inconvenientes com a lei) que possam comunicar apenas o decidido pela assembleia, sem emitir opiniões pessoais ou de seus grupos.

Para falar com as autoridades (da escola ou externas, como a polícia) devem ser eleitos também um ou dois delegados revogáveis. Esses, depois da discussão, devem transmitir tudo o que foi discutido para a assembleia. Se não o fizerem devem ser trocados. Todas as propostas que surgirem por parte das autoridades devem ser discutidas em assembleia antes de tomar qualquer decisão.

É desejável gravar as reuniões com as autoridades para evitar qualquer tipo de agressão ou ameaça. Devem ser escolhidos também um ou dois delegados para ir às assembleias das escolas vizinhas para dar informações sobre a ocupação, trazendo depois informes das outras escolas para a ocupação.

ASSEMBLEIAS

A assembleia é o órgão mais importante durante uma ocupação. As decisões mais importantes devem passar por ela e ser discutidas nela.

É importante que se incentive a participação de todos os estudantes e não só dos mais experientes. Isso pode ser alcançado decidindo com antecedência um conjunto de temas para serem discutidos, para que dessa forma os companheiros com menos experiência tenham mais tempo para elaborar suas posições.

Se esse conjunto de assuntos é extenso e os debates são chatos e longos, o melhor é colocar um limite de tempo (3 a 5 minutos) para cada intervenção/fala. Devem ter dois moderadores: um que controle o tempo da intervenção/fala e avise quando o tempo terminou ou se a discussão está fugindo do tema e um outro que faça uma lista de quem deseja falar e anote as decisões tiradas na assembleia. Outra pessoa deve fazer a ata, um registro detalhado da assembleia. Como é algo que pode ser chato e entediante, esse posto pode ser rotativo.

Na primeira assembleia (quando se decide a ocupação) é conveniente que seja votada uma série de reivindicações e demandas. Com isso, se evitam confusões e se tornam claros os objetivos da ocupação.

ATIVIDADES

É recomendável que durante o dia sejam realizadas atividades na ocupação com a participação de alunos, professores, pais e todos os que apoiem a ocupação. Essas atividades podem ser decididas tanto por companheiros com experiência quanto por professores ou por pessoas que não sejam da escola (familiares, conhecidos, etc). Algo a ser levado em conta é que tendo mais gente na ocupação durante o dia se reduz muito a possibilidade de algum tipo de agressão à ocupação por parte das autoridades.

Essas atividades podem tanto ser recreativas quanto de formação: podem ser conversas sobre algum tema de interesse ou também pintar cartazes, murais, paredes, grafittis, oficinas de desenhos, o que se desejar. Finalmente, mas não menos importante, é durante esse período de atividades que os companheiros mais atarefados e presentes na ocupação possam relaxar e descansar, diminuindo o esgotamento e cansaço deles.

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DENÚNCIA! Blog e páginas do O Mal Educado sofrem ataque cibernético!

Às 12h de hoje (09/10), fomos surpreendidos por um ataque cibernético aos canais de comunicação do coletivo O Mal Educado. Pouco após o fim da manifestação que reuniu milhares de estudantes secundaristas na Av. Paulista contra a (des)organização da rede de ensino estadual imposta pelo Governo Estadual, tivemos nossas contas invadidas e senhas alteradas, nossa página do Facebook foi desativada e todas as postagens do nosso blog (desde 2012) foram apagadas permanentemente.

Já conseguimos reativar a página e recuperar as senhas, mas blog continua vazio. No Facebook, sumiu todo conteúdo que publicamos desde abril. Curiosamente, exatamente as postagens das recentes mobilizações contra o fechamento de escolas foram apagadas. Num momento em que a luta dos estudantes cresce a cada dia e põe em xeque os planos do Governo, será esse ataque uma tentativa das forças repressivas do Estado tentarem amedrontar o movimento?

Estamos aqui de novo, e o movimento dos secundaristas – que é muito maior e nem depende de qualquer página – só vai aumentar. Mas vai aumentar também a preocupação do Governo, e, junto, a repressão e o monitoramento à militância que estiver na luta.

O Mal Educado é uma pequena iniciativa de apoio à luta estudantil, que há alguns anos tenta apoiar e estimular experiências de luta e organização nas escolas. Nessa luta contra o fechamento de escolas e a deorganização da rede estadual, tentamos ser mais uma ferramenta para os estudantes fortalecerem seu combate.

O próximo ato já tem data: 15/10, junto com os professores, no Palácio dos Bandeirantes!

AS ESCOLAS SÃO NOSSAS! VAMOS TOMÁ-LAS ANTES QUE O GOVERNO AS TOME DA GENTE!
‪#‎NãoFecheMinhaEscola‬
‪#‎SeFecharVamosOcupar‬

O MAL EDUCADO

Vamos tomar as escolas antes que o governo tome elas da gente!

A proposta de reestruturação do ensino que o governo apresentou à Assembleia Legislativa tá revoltando muita gente, e não é à toa: a ideia é que cada escola atenda um ciclo (Fund I, II ou Ensino Médio). Isso vai fazer com que a demanda se concentre em algumas escolas, o que vai permitir que o Estado feche centenas de colégios. Além disso, os alunos terão que estudar mais longe de suas casas, milhares de professores e funcionários serão demitidos e os pais vão ter que se virar pra deixar os filhos em escolas diferentes. A previsão é que 1 milhão de alunos sejam transferidos pra outras escolas! Enfim, vai bagunçar completamente a vida de todo mundo.
Mas não demorou muito e pais, alunos e professores já começaram a se mobilizar. Todos os dias dezenas de protestos têm acontecido no Estado, alguns com mais de mil pessoas! Terça-feira, dia 6/10, um ato convocado por algumas alunas reuniu mais de 700 estudantes, travando principais avenidas do centro da cidade. E já está marcado o próximo ato: sexta-feira, dia 9/10, às 8h no MASP. O caminho tem que ser esse mesmo: coordenar cada vez mais as ações dos estudantes para derrotar a reorganização que o governo quer impor!
1. Coordenar as ações dos estudantes
É preciso evitar a dispersão da luta. De que adianta vários abaixo-assinados e protestos separados entre as várias escolas? Essa luta não é só de uma ou outra escola, mas de todas. Por isso devemos fazer assembleias ou reuniões regionais e realizar ações coordenadas entre todas as escolas: fazer uma manifestação (ou várias manifestações no mesmo dia), um mesmo abaixo-assinado, levantar as mesmas reivindicações. Isso potencializa o impacto do nosso movimento e faz com que sejamos um só perante o Estado.
2. Não confiar nas entidades estudantis
As entidades que deveriam representar os estudantes (UMES, UPES, UBES, UNE) há anos que não lutam mais para nos defender. Todas elas estão aparelhadas pelos partidos da base do governo e só estão preocupadas em ganhar dinheiro com a venda das suas carteirinhas estudantis; para defender seus interesses, não vão perder tempo em nos trair na primeira oportunidade. No começo do ano, por exemplo, elas se reuniram com a prefeitura para negociar a substituição de todos os Bilhetes de Estudante pelas carteirinhas deles, em troca eles deixaram de apoiar as manifestações contra o aumento das passagens. Para que não sejamos enganados de novo, devemos organizar o nosso movimento com independência, chamando nossos próprios atos, escolhendo nossos próprios representantes e não permitindo que eles nos representem.
3. Ocupar as escolas
Várias escolas estão ameaçadas de serem fechadas ou entregues à Prefeitura. Um jeito de impedir que isso aconteça seria ocupar as escolas, ou seja, que os estudantes se organizem para acampar nas escolas dia e noite, e assim impedir que qualquer documento ou material (mesas, cadeiras) sejam retirados do prédio. Essa tática de luta é muito usada em países vizinhos, como Chile e Argentina, onde os estudantes passam semanas ou até meses acampados dentro das escolas como forma de protesto. No Brasil isso chegou a acontecer em 2012, no Mato Grosso do Sul, onde os alunos de uma escola que estava para ser municipalizada tomaram o prédio e garantiram que o colégio continuasse a ser administrado pelo Estado. Pode parecer muito complicado, mas basta que em cada escola os estudantes se organizem!  E se já mostramos que somos capazes de sacudir todo o Estado de São Paulo em uma semana de mobilizações, quer dizer que organizados poderemos fazer muito mais! *
4. Só os estudantes podem derrotar o governo
Precisamos que todos participem dessa luta. Pais, professores, funcionários e todos os trabalhadores devem apoiar os estudantes. Mas só os estudantes tem força para derrotar o governo. Isso não quer dizer que possamos vencer sozinhos, mas que somos a força decisiva nessa batalha. Por isso não podemos fazer só o que o sindicato dos professores planejou, precisamos ir além disso e tomar as rédeas da luta, organizando ações mais radicais e criativas. Só com ousadia e união dos estudantes de todas as escolas conseguiremos fazer o governo tremer e recuar!
https://i0.wp.com/www.theclinic.cl/wp-content/uploads/2011/07/Colegio-En-Toma-1.jpgNENHUM PASSO ATRÁS! ATÉ A VITÓRIA!
AS ESCOLAS SÃO NOSSAS: SE O GOVERNO QUER FECHAR, VAMOS OCUPAR!